Primeiro passo: saber quanto custa o prato
Nenhum método funciona com um custo errado. Antes de pensar no preço, o prato tem de ter ficha técnica com:
- gramagem de cada ingrediente, pesada na balança;
- preço da última fatura do fornecedor;
- quebras de limpeza e confeção (o salmão inteiro perde perto de 35% até ao lombo limpo; a carne grelhada perde água);
- todos os extras: guarnição, molho, pão, manteiga, azeite de finalizar, decoração.
O método completo está no guia como calcular o custo de um prato. Neste guia, parte-se do princípio de que o custo já está certo.
Método 1: multiplicador
É o método mais rápido: preço sem IVA = custo × multiplicador. Os multiplicadores mais usados ficam entre 3 e 4, o que equivale a um food cost entre 33% e 25%.
- Multiplicador 3 → food cost de 33,3%
- Multiplicador 3,5 → food cost de 28,6%
- Multiplicador 4 → food cost de 25%
Vantagem: simples e fácil de explicar à equipa. Problema: trata todos os pratos da mesma forma. Um prato de lagosta com custo de 18 € multiplicado por 3,5 chega a 63 € sem IVA, um preço que talvez a sua clientela não aceite; uma sopa com custo de 0,40 € fica a 1,40 €, abaixo do que o mercado paga sem problema.
Método 2: food cost alvo
Define-se a percentagem de food cost que se quer para o prato e divide-se: preço sem IVA = custo ÷ food cost alvo.
Com custo de 4,00 € e alvo de 30%: 4,00 ÷ 0,30 = 13,33 € sem IVA. É matematicamente igual ao multiplicador (1 ÷ 0,30 = 3,33), mas obriga a pensar em alvos diferentes por categoria: entradas e sobremesas costumam aguentar um food cost mais baixo; peixe fresco e marisco, mais alto.
Para escolher o alvo, veja os intervalos de referência no guia sobre o food cost ideal e faça as contas na calculadora de food cost.
Método 3: margem de contribuição
Em vez de uma percentagem, decide-se quantos euros cada prato tem de deixar: preço sem IVA = custo + margem de contribuição desejada.
A margem de contribuição é o que sobra depois de pagar os ingredientes e que serve para pagar pessoal, renda, energia e lucro. Uma forma de a estimar:
- Some os custos fixos mensais (pessoal, renda, energia, seguros, contabilidade, software): por exemplo, 30.000 €.
- Junte o lucro que pretende: 4.000 €. Total a cobrir: 34.000 €.
- Divida pelo número de pratos principais vendidos por mês: 2.600 pratos → cerca de 13 € por prato.
É o método que melhor protege a conta de exploração, sobretudo em pratos de matéria-prima cara, onde uma percentagem alta pode ainda assim deixar muitos euros.
Exemplo: os três métodos aplicados ao mesmo prato
Polvo à lagareiro com custo de 5,80 € por dose. Preço com IVA calculado a 13%.
| Método | Cálculo | Preço sem IVA | Preço com IVA | Na carta |
|---|---|---|---|---|
| Multiplicador 3,5 | 5,80 × 3,5 | 20,30 € | 22,94 € | 22,90 € |
| Food cost alvo 30% | 5,80 ÷ 0,30 | 19,33 € | 21,85 € | 21,90 € |
| Margem de 13 € | 5,80 + 13,00 | 18,80 € | 21,24 € | 21,50 € |
Os três dão valores próximos. Agora compare com dois pratos de custo baixo:
| Prato | Custo | Food cost 30% (com IVA) | Margem de 13 € (com IVA) |
|---|---|---|---|
| Bitoque | 2,60 € | 9,79 € | 17,63 € |
| Risotto de cogumelos | 2,90 € | 10,92 € | 17,97 € |
Aqui os métodos afastam-se muito. Um bitoque a 17,63 € dificilmente vende; a 9,79 € deixa só 6,07 € de margem. A resposta prática é combinar: usar o food cost alvo como base, verificar se cada prato deixa euros suficientes e ajustar ao que a clientela da zona paga.
IVA na restauração: como entra no preço da carta
Os preços da carta têm de ser apresentados com IVA incluído. Por isso, calcula-se o preço sem IVA e multiplica-se pela taxa.
Como regra geral no continente, a restauração tem duas taxas:
- 13% (taxa intermédia) para as refeições e a generalidade do serviço de restauração;
- 23% (taxa normal) para bebidas alcoólicas, refrigerantes, sumos, néctares e águas com gás ou adicionadas.
Na Madeira e nos Açores as taxas são diferentes. Em menus que juntam comida e bebida a um preço fechado, o valor tem de ser repartido pelas taxas aplicáveis. As regras têm exceções e mudam com os orçamentos do Estado: confirme sempre o enquadramento com o seu contabilista.
Exemplo com bebidas: um copo de vinho com custo de 1,10 € e multiplicador 4 dá 4,40 € sem IVA; com IVA a 23%, 5,41 €, que na carta passa a 5,50 €. Se tivesse aplicado 13% por engano, o preço seria 4,97 € e a diferença sairia da margem.
Psicologia da carta: o preço também se desenha
- Terminações: em restaurantes de gama média, ,50 e ,90 são habituais; em casas de gama alta, números redondos (24, 32) passam uma imagem mais cuidada.
- Sem colunas de preços: preços alinhados à direita convidam a ler a carta pelo preço. Colocá-los logo a seguir à descrição dá mais peso ao prato.
- Prato âncora: um prato mais caro no topo da secção (uma posta maturada, um arroz de lavagante) faz os restantes parecerem mais acessíveis.
- Posição: o primeiro e o segundo prato de cada secção são os mais lidos. Coloque ali os pratos com melhor margem.
- Descrições concretas: origem e técnica ("polvo dos Açores assado no forno a lenha") justificam o preço melhor do que adjetivos.
- Menos pratos: uma carta curta reduz stock parado, desperdício e decisões demoradas à mesa.
Depois de ter preços, a margem e a popularidade de cada prato dizem o que manter, subir ou retirar. Isso é a engenharia de menu, explicada no guia sobre margem de lucro do restaurante.
Quando rever os preços
- Quando um ingrediente principal sobe mais de 10% e a subida dura mais de um mês.
- Quando muda a gramagem ou a receita.
- Quando o food cost real do mês fica vários pontos acima do teórico.
- Pelo menos uma vez por ano, mesmo que nada pareça ter mudado.
Com a Mezzo OS, o custo de cada ficha técnica atualiza-se com as faturas dos fornecedores lidas por fotografia e a margem de cada prato fica sempre à vista, o que permite ver logo que pratos precisam de novo preço. Saiba mais em ficha técnica com custo do prato.
Ver também
Perguntas frequentes
Qual a fórmula para calcular o preço de venda de um prato?
Preço sem IVA = custo do prato ÷ food cost alvo (por exemplo, 0,30). Depois multiplique pela taxa de IVA aplicável, como 1,13 para refeições no continente.
Quanto se deve multiplicar o custo de um prato?
Muitos restaurantes usam multiplicadores entre 3 e 4 sobre o custo sem IVA. O valor certo depende do tipo de prato e dos euros de margem que cada prato tem de deixar.
O preço da carta inclui IVA?
Sim, os preços apresentados ao cliente incluem IVA. Calcule primeiro o preço sem IVA e só depois aplique a taxa.
Qual é o IVA das refeições e das bebidas em restaurantes?
Como regra geral no continente, as refeições estão a 13% e as bebidas alcoólicas, refrigerantes, sumos, néctares e águas com gás a 23%. Madeira e Açores têm taxas próprias; confirme sempre com o contabilista.
Devo usar o mesmo food cost para todos os pratos?
Não é obrigatório nem recomendável. Pratos de matéria-prima cara aceitam uma percentagem maior se deixarem mais euros de margem; entradas e sobremesas costumam trabalhar com percentagens mais baixas.
Experimente no seu restaurante
14 dias grátis, com tudo aberto e sem cartão. Ou veja primeiro a demonstração, sem criar conta.