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Custos

Margem de lucro de um restaurante: como calcular e melhorar

A margem de lucro de um restaurante mede-se a dois níveis: a margem bruta de cada prato (preço sem IVA menos custo dos ingredientes) e a margem líquida do negócio (o que sobra depois de pagar todos os custos, a dividir pelas vendas). A margem bruta de um prato costuma ser alta, mas a líquida é muito menor, porque pessoal, renda e energia levam a maior parte. O indicador que mais ajuda a controlar a diferença é o prime cost: matéria-prima mais pessoal.

Atualizado em novembro de 2026 · Equipa Mezzo OS

Margem bruta por prato e margem líquida: não confundir

Margem bruta de um prato = preço de venda sem IVA − custo dos ingredientes. Um bacalhau à Brás vendido a 14,50 € (12,83 € sem IVA) com custo de 3,45 € tem uma margem bruta de 9,38 €, ou 73% do preço sem IVA.

Margem líquida do restaurante = (vendas sem IVA − todos os custos) ÷ vendas sem IVA × 100. Aqui entram pessoal, renda, energia, comissões, manutenção e tudo o resto.

O erro comum é olhar para os 73% do prato e achar que o restaurante ganha muito. Desses 9,38 €, a maior parte vai pagar salários, renda e luz. Só o que sobra no fim do mês é lucro.

O custo de cada prato calcula-se como explicado em como calcular o custo de um prato.

Os principais custos de um restaurante

  • Matéria-prima: comida e bebida (food cost e beverage cost).
  • Pessoal: salários, subsídios, encargos com a Segurança Social, seguro de acidentes de trabalho, formação, refeições da equipa.
  • Espaço: renda ou prestação, condomínio, IMI se o espaço for próprio.
  • Energia e água: eletricidade, gás, água. Câmaras frigoríficas, fornos e extração pesam muito.
  • Comissões: terminais de pagamento, plataformas de entregas e de reservas.
  • Manutenção: equipamentos de frio, máquina de lavar, exaustão, pequenas reparações.
  • Serviços: contabilidade, seguros, software, controlo de pragas, recolha de óleos, lavandaria.
  • Marketing: redes sociais, fotografias, publicidade.
  • Amortizações e financiamento: obras, equipamento, juros.

Os dois primeiros juntos formam o prime cost e são os que mais variam com a gestão do dia a dia.

Prime cost: o indicador que mais conta

Prime cost = custo da matéria-prima consumida + custo total de pessoal, normalmente expresso em percentagem das vendas sem IVA.

É o indicador mais útil porque junta os dois custos que se podem controlar todas as semanas: o que se compra e se desperdiça, e as horas que se escalam. Uma referência usada com frequência no setor é manter o prime cost por volta de 60% a 65% das vendas. É uma orientação, não uma regra: um restaurante com renda muito baixa aguenta um prime cost mais alto; um com renda alta precisa de um mais baixo.

O prime cost também mostra compensações. Um restaurante de fine dining pode ter food cost moderado e custo de pessoal muito alto; uma marisqueira, o contrário. Olhar só para o food cost esconde metade do problema.

Para baixar a parte do pessoal sem prejudicar o serviço, o ponto de partida é ajustar as escalas à ocupação prevista. Veja escalas e horas da equipa.

Exemplo de contas de um mês

Restaurante fictício com 60.000 € de vendas sem IVA num mês:

RubricaValor% das vendas
Vendas sem IVA60.000 €100%
Matéria-prima consumida18.600 €31,0%
Pessoal com encargos20.400 €34,0%
Prime cost39.000 €65,0%
Renda5.500 €9,2%
Energia, gás e água3.000 €5,0%
Comissões (terminais, plataformas)900 €1,5%
Manutenção700 €1,2%
Contabilidade, seguros, software1.400 €2,3%
Marketing600 €1,0%
Amortizações1.500 €2,5%
Outros800 €1,3%
Resultado antes de impostos6.600 €11,0%

Repare no efeito de pequenas variações: se o food cost subir de 31% para 34% por desperdício e porções maiores, são mais 1.800 € de custo e o resultado cai para 4.800 €, ou seja, menos 27% de lucro com apenas 3 pontos de food cost. Os valores deste exemplo servem só para mostrar o método; cada restaurante tem a sua estrutura de custos.

Qual a margem de lucro de um restaurante?

Não existe um número fiável que sirva para todos os restaurantes em Portugal. A margem líquida depende do tipo de casa, da localização, da renda, do preço médio e da ocupação. Em conversas do setor, fala-se muitas vezes de margens líquidas de um só dígito como frequentes, mas a única margem que interessa é a do seu restaurante.

Para a saber, precisa de três números todos os meses:

  1. vendas sem IVA;
  2. food cost real, calculado com inventário (veja o guia sobre o food cost ideal);
  3. custo total de pessoal com encargos.

Com estes três números tem o prime cost; somando os custos fixos, tem o resultado. Peça ao contabilista o balancete mensal e não apenas as contas de fim de ano.

Engenharia de menu: estrelas, vacas, quebra-cabeças e cães

A engenharia de menu cruza dois dados de cada prato: popularidade (quantas doses se vendem) e margem bruta em euros. Um critério comum: um prato é popular se vender pelo menos 70% da média de doses por prato da secção; tem margem alta se ficar acima da margem média ponderada.

Exemplo com quatro pratos principais num mês (1.080 doses, média de 270; limite de popularidade de 189 doses; margem média ponderada de 8,67 €):

PratoDosesMargem brutaClassificação
Bacalhau à Brás4209,38 €Estrela
Bitoque3906,07 €Vaca
Polvo à lagareiro18013,58 €Quebra-cabeças
Risotto de cogumelos906,77 €Cão

O que fazer com cada categoria

  • Estrelas (populares e com boa margem): manter receita e qualidade, dar destaque na carta, não mexer no preço sem motivo.
  • Vacas (populares, margem baixa): subir o preço aos poucos, rever gramagem ou guarnição, sugerir acompanhamentos com melhor margem.
  • Quebra-cabeças (margem alta, vendem pouco): melhorar a descrição, a posição na carta e a apresentação; a sala pode sugeri-los.
  • Cães (vendem pouco e deixam pouco): retirar ou reformular. Cada prato a mais na carta é stock parado e desperdício.

Repita a análise a cada mudança de carta ou de três em três meses. Para ajustar preços, use os métodos do guia como calcular o preço de venda de um prato.

Como melhorar a margem de lucro

  • Atualizar o custo dos pratos sempre que os preços dos fornecedores mudam.
  • Controlar porções com balança no posto e fotografias de empratamento.
  • Reduzir o desperdício com FEFO, stock mínimo e preparações ajustadas à ocupação.
  • Ajustar escalas às horas de maior movimento, em vez de horários fixos iguais todos os dias.
  • Conferir a receção: o que falta ou chega em mau estado deve ser reclamado e descontado.
  • Rever a carta com engenharia de menu e retirar os cães.
  • Rever contratos de energia, comissões dos terminais e seguros uma vez por ano.

Na Mezzo OS, a margem e o lucro de cada prato atualizam-se com as faturas dos fornecedores e as contas do mês ficam visíveis ao vivo durante o serviço. Saiba mais em ficha técnica com custo do prato.

Ver também

Perguntas frequentes

Qual a margem de lucro de um restaurante?

Não há um valor único: depende do tipo de restaurante, da renda, do preço médio e da ocupação. A margem bruta de cada prato é alta, mas a margem líquida, depois de pessoal, renda e restantes custos, é muito menor.

O que é o prime cost de um restaurante?

É a soma do custo da matéria-prima consumida com o custo total de pessoal, em percentagem das vendas sem IVA. Uma referência usada com frequência é ficar por volta de 60% a 65%, ajustada à renda e ao tipo de casa.

Como se calcula a margem bruta de um prato?

Subtraia o custo dos ingredientes ao preço de venda sem IVA. Para a ter em percentagem, divida esse valor pelo preço sem IVA e multiplique por 100.

Quais são os maiores custos de um restaurante?

Em regra, matéria-prima e pessoal são os dois maiores custos, seguidos da renda e da energia. Juntos, matéria-prima e pessoal formam o prime cost.

O que é a engenharia de menu?

É uma análise que classifica os pratos pela popularidade e pela margem bruta em euros, em estrelas, vacas, quebra-cabeças e cães, para decidir o que destacar, reformular, subir de preço ou retirar da carta.

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