Food cost: significado em poucas palavras
Food cost (custo da comida) é a parte da faturação que vai para os ingredientes. Se um prato é vendido a 12,00 € sem IVA e os ingredientes custam 3,60 €, o food cost desse prato é de 30%. Por cada euro vendido, 30 cêntimos pagam a matéria-prima e 70 cêntimos ficam para pagar a equipa, a renda, a energia e, no fim, dar lucro.
O termo usa-se em dois sentidos que convém separar:
- Food cost de um prato: calculado a partir da ficha técnica, com as quantidades e os preços de compra de cada ingrediente.
- Food cost do restaurante: calculado com o stock e as compras de um período (semana ou mês) e as vendas desse período.
O primeiro serve para definir preços. O segundo mostra o que realmente aconteceu na cozinha, incluindo desperdício, porções maiores do que o previsto e quebras.
Fórmula do food cost
A fórmula base é simples:
Food cost (%) = custo da matéria-prima ÷ preço de venda sem IVA × 100
Dois cuidados que mudam o resultado:
- Retire sempre o IVA ao preço de venda. O IVA não é receita do restaurante; é entregue ao Estado. Um prato a 14,50 € na carta, com IVA a 13%, vale 12,83 € para o restaurante (14,50 ÷ 1,13).
- Use o custo real dos ingredientes, com quebras. Um polvo comprado a 12,00 €/kg que perde 40% na cozedura custa, na prática, 20,00 €/kg cozido. Se a ficha técnica usar o peso cru e o preço de compra sem quebra, o food cost aparece mais baixo do que é.
O cálculo detalhado do custo de cada ingrediente, com rendimento e perdas, está explicado no guia como calcular o custo de um prato.
Exemplo prático: food cost de um bacalhau à Brás
Uma dose de bacalhau à Brás com preço na carta de 14,50 € (IVA incluído a 13%):
| Ingrediente | Quantidade | Preço | Custo |
|---|---|---|---|
| Bacalhau demolhado e desfiado | 180 g | 11,50 €/kg | 2,07 € |
| Batata palha | 80 g | 4,20 €/kg | 0,34 € |
| Ovos | 3 un. | 0,22 €/un. | 0,66 € |
| Cebola, azeite, salsa, azeitonas | - | - | 0,38 € |
| Total | 3,45 € |
Preço sem IVA: 14,50 ÷ 1,13 = 12,83 €. Food cost: 3,45 ÷ 12,83 × 100 = 26,9%.
Se o preço do bacalhau subir para 13,50 €/kg, o custo da dose passa para 3,81 € e o food cost para 29,7%, sem que ninguém na sala dê por isso. É por esta razão que o custo das fichas técnicas tem de acompanhar as faturas dos fornecedores. Pode fazer estas contas na calculadora de food cost grátis.
Food cost real vs food cost teórico
O food cost teórico é o que devia ter acontecido: soma do custo de cada prato vendido (segundo as fichas técnicas) a dividir pelas vendas. O food cost real é o que aconteceu de facto, calculado com o stock:
Consumo = stock inicial + compras − stock final
Food cost real (%) = consumo ÷ vendas sem IVA × 100
Exemplo de um mês:
- Stock inicial (inventário de 1 de março): 8.200 €
- Compras do mês: 12.600 €
- Stock final (inventário de 31 de março): 7.900 €
- Consumo: 8.200 + 12.600 − 7.900 = 12.900 €
- Vendas de comida sem IVA: 41.500 €
- Food cost real: 12.900 ÷ 41.500 = 31,1%
Se as fichas técnicas dos pratos vendidos davam um food cost teórico de 28,4%, a diferença é de 2,7 pontos percentuais. Em euros: 41.500 × 2,7% ≈ 1.120 € num mês que saíram da cozinha sem passar pela faturação como margem.
De onde vem a diferença
- Desperdício: produto fora de validade, preparações que sobram, erros de confeção.
- Porções acima da ficha técnica (180 g que passam a 220 g).
- Refeições da equipa e ofertas que não ficam registadas.
- Mercadoria faturada que não chegou ou chegou com peso a menos.
- Preços de compra que subiram e não foram atualizados nas fichas técnicas.
- Erros de inventário (contagens à pressa, unidades trocadas).
Uma diferença pequena e estável é normal. Uma diferença que cresce de mês para mês pede investigação produto a produto. O guia como reduzir o desperdício no restaurante mostra por onde começar.
Food cost ideal: valores de referência por tipo de restaurante
Não há lei nem número certo. Os intervalos abaixo são orientações usadas com frequência no setor para ter um ponto de partida. O valor certo para o seu restaurante depende do preço médio, do custo de pessoal e da renda.
| Tipo de restaurante | Referência habitual | Porquê |
|---|---|---|
| Pizzaria, massas | 20% a 28% | Farinha, molho de tomate e massa seca são baratos. |
| Restaurante tradicional, pratos do dia | 28% a 35% | Preços contidos e doses generosas. |
| Marisqueira, grelhados de peixe, carnes maturadas | 32% a 40% | Matéria-prima cara; aceita-se uma percentagem maior em troca de mais euros por prato. |
| Fine dining, menu de degustação | 25% a 32% | Preço alto, mas muitas horas de trabalho por prato. |
| Hamburgueria, street food | 25% a 32% | Volume alto e pouca variedade de ingredientes. |
Um food cost de 38% numa marisqueira pode ser mais saudável do que 25% numa casa de pratos do dia, se o primeiro deixar 18 € por prato e o segundo 6 €. A percentagem ajuda a comparar, mas paga-se a renda com euros, não com percentagens. A análise completa de custos está no guia sobre a margem de lucro de um restaurante.
Como calcular o food cost passo a passo
- Faça a ficha técnica de cada prato, com gramagens reais pesadas na balança e não estimadas.
- Aplique o preço de compra da última fatura e a percentagem de quebra de cada ingrediente (limpeza, cozedura, desossa).
- Some o custo de todos os componentes, incluindo guarnição, molho, pão e azeite de finalizar.
- Divida pelo preço de venda sem IVA e multiplique por 100.
- Faça inventário no último dia do mês, sempre à mesma hora e com as mesmas unidades.
- Calcule o food cost real com a fórmula do stock e compare com o teórico.
- Investigue os produtos com maior diferença, começando pelos mais caros: peixe, marisco, carne, queijos, azeite.
Bebidas calculam-se à parte (beverage cost). Misturar vinho e refrigerantes com comida esconde problemas dos dois lados.
Como baixar o food cost sem piorar o prato
- Rever gramagens: passar de 200 g para 180 g de proteína baixa o custo em 10% nesse ingrediente; muitas vezes o cliente não nota se a guarnição estiver equilibrada.
- Aproveitar subprodutos: aparas de peixe para caldos e arroz, ossos para fundos, pão do dia anterior para açordas e migas.
- Negociar e comparar fornecedores nos 10 produtos que pesam mais nas compras.
- Controlar a receção: pesar o peixe e a carne quando chegam e anotar o que falta.
- Usar FIFO no armazém: o que entrou primeiro sai primeiro, para não deitar fora produto caducado.
- Ajustar o preço quando o custo sobe de forma estável, em vez de esperar pela carta seguinte.
Na Mezzo OS, as faturas dos fornecedores lidas por fotografia atualizam o custo de cada ficha técnica, por isso o food cost de cada prato acompanha o preço real de compra. Saiba mais em ficha técnica com custo do prato.
Ver também
Perguntas frequentes
Qual é o food cost ideal de um restaurante?
Não há um valor único. Muitos restaurantes usam como referência 25% a 35%, mas o valor adequado depende do tipo de cozinha, do preço médio e dos restantes custos, sobretudo pessoal e renda.
Como se calcula o food cost?
Divida o custo da matéria-prima pelo preço de venda sem IVA e multiplique por 100. Para o restaurante inteiro, use o consumo do período (stock inicial + compras − stock final) a dividir pelas vendas sem IVA.
O food cost calcula-se com ou sem IVA?
Sem IVA. O IVA cobrado ao cliente é entregue ao Estado e não é receita do restaurante; usar o preço com IVA faz o food cost parecer mais baixo do que é.
Qual a diferença entre food cost real e teórico?
O teórico vem das fichas técnicas dos pratos vendidos; o real vem do stock e das compras. A diferença entre os dois mostra desperdício, porções acima do previsto, ofertas não registadas e erros de receção.
De quanto em quanto tempo devo calcular o food cost?
O food cost real calcula-se pelo menos uma vez por mês, com inventário. Os produtos mais caros podem ser contados todas as semanas para detetar desvios mais cedo.
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